Thursday, November 10, 2011

The Lady of the Garden

O aparecimento desta foto aqui no blog tem a ver com uma história que envolveu uma coincidência incrível. Logo nos primeiro dias, em nossas infalíveis excursões por Ann Arbor, havia reparado nela, sem saber nada a seu respeito. Solitária em seu jardim, com uma expressão serena e elegante, sob a copa de árvores antigas, ela parece contemplar incansavelmente o insondável. O que estará a esquadrinhar? Deixo a pergunta suspensa para que cada um possa dar a sua própria resposta. Os dias foram passando, e, depois que comecei a frequentar a biblioteca sobre a qual falei em outro post, a "dama do jardim", por estar no trajeto que costumo fazer todos os dias, tornou-se objeto rotineiro de minha contemplação. Intrigado e absorto, não conseguia conter elucubrações sempre que a via, bela e eterna em sua majestade. Será ela uma dessas divindades pagãs? Acaso poderá ser uma dessas criaturas das mitologias antigas que habitam os nossos sonhos? Será uma sílfide? Eis que um dia, ainda mergulhado em pensamentos sobre minha "dama do jardim", segui meu caminho, e, enlevado, logo depois de vê-la mais uma vez, reparei no prédio que fica ao lado de meu jardim feérico. Curioso, achei que valia a pena me deter um pouco, para ler a placa que conta uma anedota sobre esse prédio. Chamado Martha Cook em homenagem à mãe de William Cook, ex-aluno da University of Michigan, que cedeu um patrimônio enorme para a universidade, esse prédio, parte do espólio deixado por Cook, foi, durante algum tempo, residência para estudantes do beau sexe. O mais interessante é o detalhe que vem na sequência... Conta-se ali que, para a celebração do quinquagésimo aniversário do prédio, em 1967, estudantes e amigos da Martha Cook Residence resolveram oferecer um presente, qual seja, a nossa hipnotizadora figura do jardim, esculpida por Paul Suttman, que lhe deu o nome que também intitula este post. A incrível coincidência de que falei no começo desta história tem a ver com o cognome que, com o tempo, foi dado à "dama do jardim". Assombrado e feliz, descobri que lhe passaram a chamar, emblematicamente, Eva.


3 comments:

  1. Depois de tanto romance e poesia, não tenho muito a dizer, excepto que fico feliz por ser a Eva. Já conhecia a história, porque me levaste a conhecer todos esses pontos que descreves, mas é sempre bom reencontrar esses momentos que se tornam mágicos para nós e que iniciam a nossa história aqui...

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  2. Que bom ver que a sensibilidade continua a reinar por ai nas descobertas dos prazeres para os olhos e para os sentidos. Engraçado, apesar de a figura estar vestida, o que aquela que lhe deu origem ao nome , não costumar ser assim representada, deu-me uma sensação, pelo sereno, tranquilo, tão só, mas tão envolta no ambiente, que seria uma Eva.

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  3. Por alguns minutos, me fizeste planar por Ann Arbor e enxergar tuas caminhadas elucubrativas, Cris. Beijos com carinho para vocês dois ;)

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