Há bastante tempo que estou para aqui escrever, mas os dias passam tão rápido e à noite, em casa, já não tenho muita energia para aqui vir. Se bem que o meu companheiro ainda é pior que eu, ehehe. Assim, tantas coisas aconteceram que ficaram sem registo. Ficou em falta a descrição do maior nevão do ano, os flocos com 1cm de diâmetro, sem exagero.
Certamente, faltaram tantas outras coisas que marcam no momento e penso "tenho que escrever isto", e não escrevo, e esqueço.
Há dias, enquanto falava com a minha mãe, dei-me conta de como o ter estado fora da cidade, mesmo que por apenas uns dias, me fez vê-la de outra forma. Com o regresso a Ann Arbor passei a sentir que já tenho um espaço aqui. É engraçado como em pouco tempo se constrói uma história e o regresso fez-me sentir isso, que, afinal, pertenço aqui também. Gostei dessa sensação, porque me fez sentir o conforto do regresso a casa. Ao voltar, percebi que já me oriento na cidade e já reconheço os seus cheiros. Foi muito emocionante quando entrei na universidade e reconheci o seu cheiro. Foi uma experiência forte, porque nunca me tinha dado conta do cheiro do edifício, mas quando entrei nele reconheci o cheiro que me era familiar e foi quase como se fosse um reencontro. Foi um reencontro, na verdade. É impressionante como esses pequenos acontecimentos têm um efeito, porque também eu me passei a sentir muito mais à vontade e integrada aqui. Então, tem sido uma boa experiência o regresso (no entanto, continuo a morrer de saudades do barulho do mar e de deitar na areia depois de um banho gelado e sentir o sol a aquecer o corpo, até ficar um quente tão insuportável que tem que voltar a dar outro mergulho. Saudades, mesmo! E da bola de berlim depois do banho, é claro!).
Outra coisa que se foi, nos curtos dias fora, foi a capacidade de falar inglês! Meu deus, que tristeza! Parece que não falo há anos! É impressionante como em poucos dias esqueci tudo o que demorei tanto para articular! Sinto que estou a começar praticamente do princípio. Coitados dos que têm que conviver comigo e ouvir o meu inglês macarrónico. Ainda bem que eu entendo tudo o que eu falo, ehehehhe. É impressionante como aquela provazinha do TOEFL funciona e detecta as nossas fraquezas. O resultado bem que disse que tinha elevados "skills" de compreensão, mas a articulação na fala não tinha o mesmo nível. Não tem mesmo! Espero que alguma vez tenha! É bem frustrante, porque estou a acompanhar o que o outro fala, entendo na perfeição e vou para falar é uma desgraça. Bom, mas o lema aqui é não desistir. E como não tenho hipótese, não desisto. Hei-de lá chegar!
Infelizmente, não tenho muitas fotografias dos últimos dias, mas tentei pôr alguma coisa para irem acompanhando (a foto que parece um erro é a tentativa de fotografar os flocos gigantes. oxalá consigam ver...).
Que espetáculo de acontecimento! Lindo demais!! :) Gostei da tua descrição sobre os cheiros dos lugares e da sensação de reencontro e aconchego e conforto que isso passa! Muito bonito de se ler e também lembrar de experiências próprias igualmente vivenciadas. Grande beijo em vocês!
ReplyDeleteQue bom, minha menina, ter uma casa em cada lugar, fazer casa onde se está e nesse sitio viver o melhor dos seus melhores. Que bonito essa sensibilidade e conforto familiar dos aromas. Como gosto de saber que aí também é o teu sítio e te sentes integra e amorosa.Como diz Mia Couto "O importante não é onde temos a casa, mas onde a casa vive em nós": Gostei de te ler, cidadã do mundo, saber que o mundo é a tua casa!!!
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